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no dia 5 de julho de 1982, no estádio de sarriá, em barcelona, a itália vencia o "brasil de telê, leandro, junior, cerezo, falcão, sócrates e zico", como se diz até hoje, por 3x2, com três gols de paolo rossi. seis dias depois, a itália vencia, em madrid, a alemanha ocidental por 3x1, com mais um gol de paolo rossi, e se sagrava campeã mundial pela terceira vez. pois em lages, santa catarina - distante quase 9 mil quilômetros da capital espanhola - um dia depois da final, nascia paola hakenhaar, filha de aldacira e elemar, o casal que manteve a escolha de um nome - definido meses antes - independente dos fatos futebolísticos daquela semana. hoje existem mais de 60 mil paolas no brasil, segundo o ibge, mas suponho que somente uma com tal história para contar.
pausa para hidratação: em pernambuco, durante esses dias atuais de copa, foram registrados em cartórios cerca de 50 recém-nascidos de nome haaland, e suponho que todos em virtude do sucesso esportivo e carismático do cabeludo norueguês. a base vem forte... para 2046, quando precisaremos nos unir contra a possibilidade de um novo trauma - como em algumas linhas adiante veremos.
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ainda antes do início da copa desse ano, no mês de maio, foi lançado o álbum de figurinhas da panini. e a febre se espalhou. e chegou cá em casa, onde após compras iniciais de pacotinhos, infinitas trocas subsequentes em diferentes lugares e compras pontuais das últimas faltantes, completamos o álbum. e repetiremos a brincadeira no ano que vem, com o da copa feminina, já anunciado pela panini. também completaram o álbum fran e suzi e rian e joaquim - este último, inclusive, um dia protagonizou a seguinte situação: foi à casa do vizinho - ambos com 6 anos - para trocarem figurinhas. meia hora depois, voltou bastante feliz, e fran lhe perguntou quantas haviam trocado, ao que joaquim respondeu não saber - a pureza da resposta das crianças, cantada por gonzaguinha. fran então pediu para ver as figurinhas novas, quando joaquim lhe explicou que o vizinho não tinha figurinhas e que eles colaram todas as repetidas no álbum do menino. meu irmão ficou incrédulo a ponto de não conseguir sequer questionar o filho, que demonstrava uma alegria muito genuína de ter compartilhado com um amigo a experiência de juntos colarem figurinhas, não importando de quem eram nem em qual álbum. é a vida é bonita é bonita e é bonita.
intervalo: no dia do jogo brasil x noruega, um domingo, eu e ber saímos para trocar figurinhas. troca daqui, troca de lá, de repente eu disse "completamos a noruega!", ao que ele respondeu "justo hoje!?". poucas horas depois, haaland nos mostrava com quantas remadas se faz uma classificação.
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li, por esses dias de copa, um recém-lançado livro com textos de eduardo galeano, organizados pela l&pm editores com o nome "paixão do futebol" - indicação do maikon, na livraria ambiente arejado - no qual descobri dois fatos que agora compartilho com a meia dúzia de leitores desta croniqueta, os quais poderão, quem sabe, em socializações futuras, demonstrar conhecimentos históricos inusitados: 1. a expressão marcar um gol advém dos primórdios do futebol, quando as traves eram de madeira e literalmente se marcavam, nas estacas laterais das denominadas goleiras, os gols feitos por cada time; 2. na final da primeira copa do mundo, em 1930, argentina e uruguai decidiram que queriam jogar com a própria bola, visto que cada seleção tinha uma diferente da outra. o juiz daquele jogo, sabiamente, decidiu que no primeiro tempo a bola seria da argentina, que venceu os primeiros 45 minutos por 2x1, enquanto o segundo tempo seria jogado com a bola uruguaia, da seleção vencedora não só dos outros 45 minutos, por 3x0, como de todo o jogo: final 4x2. e podemos supor que o uruguai inaugurou, naquele momento, a famosa frase, repetida por tantas crianças - algumas inclusive adultas - mundo a fora: a bola é minha e sou eu quem mando.
pausa para hidratação: 4 dos 7 gols da alemanha, em 2014, naquele 8 de julho, no mineirão, aconteceram entre os minutos 23 e 29 do primeiro tempo. justamente no momento em que agora na copa 2026 ocorre a pausa para hidratação, essa novidade que, na avaliação de técnicos, jogadores e analistas do jogo, está alterando a dinâmica das partidas, as quais inclusive já podemos entender como divididas em quatro tempos, conforme esta croniqueta demonstra. diante disso, não me sai da cabeça uma daquelas dúvidas sobre a qual jamais haverá resposta - e por isso mesmo também jamais deixará de ser uma dúvida: o que teria sido do 7x1 se o juiz pausasse o jogo após o segundo gol da alemanha? até hoje nenhum amigo levou a sério esse meu questionamento. e eu respeito. não há tempo definido para o luto. inclusive, a goleada alemã ocorreu 32 anos após a tragédia de sarriá, que se deu também 32 anos depois do maracanazo, quando o uruguai calou mais de duzentas mil pessoas ao vencer de virada a seleção brasileira por 2x1. logo, todo cuidado será pouco para o brasil na copa de 2046, quando provavelmente precisaremos dos novos haaland pernambucanos. avisados estejamos.
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dia desses, no vestiário da natação, ouvi uma conversa (parênteses para destacar que jornalismo não é fofoca e vice-versa), entre os demais frequentadores, na qual foi dito: 1. "eu não gosto desse vini junior... quer fazer mídia com causa social... tem que se concentrar em só jogar bola", disse o homem branco hétero top; 2. "essa copa tá comprada pela argentina porque a fifa quer que o messi ganhe de novo", disse o torcedor brasileiro que apagou da memória a arbitragem de alguns jogos do brasil na copa de 2002. duas frases valiosas para refletirmos sobre por que é importante a gente sempre socializar: para aprendermos a como não pensar ou agir.
prorrogação: quando a frança fez o terceiro gol contra a inglaterra, aos 21 minutos do segundo tempo, diminuindo para 3x4 o placar de um primeiro tempo que terminara com humilhantes 4x0, miles enviou no "aspas fortes" a famosa frase "TEM JOGO". ao que respondi dizendo "tem jogo no jogo que não deveria ser um jogo". e naquele momento eu e paola, assistindo àquela partida que mais parecia uma festa de final de ano, discordávamos sobre a existência de um jogo como aquele. e o meu incômodo com a disputa de terceiro lugar em torneios como a copa do mundo reside no fato de que estão jogando duas equipes que perderam seus jogos anteriores, na fase semifinal, o que contraria o princípio do caráter eliminatório do torneio. afinal, se quem, ao perder em um mata-mata, popularmente "volta pra casa", o que é que estão fazendo em campo dois eliminados? é claro que estão rendendo muitos dinheiros - e gols e diversão - a quem organiza e patrocina o evento, e eu não nutro esperança de que não exista mais tal disputa. ela só não faz sentido, para mim, sob o ponto de vista do formato do campeonato. aos eliminados, a eliminação!
pênaltis: encerrei meu ciclo argentino. sem qualquer incômodo supostamente moral, seja por rivalidade, seja por questões sociais. foram quatro copas torcendo pela pulga mais impressionante que já vi jogar futebol. três finais, dois vices e um título depois, dou-me por satisfeito. obrigado, leo. que seja bonita a festa da despedida. as camisas, a flâmula, as figurinhas, o time de futebol de botão e o cachecol representarão minhas memórias desses 12 anos. e eu agora torço para novamente viver um título de copa do mundo da seleção brasileira: a emoção de uma final e todas as possibilidades de encontros entre amigos, familiares, conhecidos e desconhecidos. há bastante frustração em fazer tudo isso por outras seleções. quem sabe esse meu recomeço se dê ano que vem, com a seleção brasileira feminina durante a copa do mundo no brasil. mas jorge jesus é o novo treinador de portugal, assim como klopp é o da alemanha, sem contar os boatos de que guardiola pode assumir uma seleção. e sabemos que o coração de um torcedor tem razões que a própria razão desconhece.
ítalo puccini



